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A produção de paternidade em Procurando Nemo: performatividade em redes heterogêneas

Dissertação Mestrado

Nome:
Márcio Bruno Barra Valente
Instituição: UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Orientador: Benedito Medrado-Dantas
Ano: 2011
País: Brasil

Resumo
Esta pesquisa refuta qualquer sentido pré-linguístico acerca da paternidade e parte de uma crítica às leituras sobre o tema, em Ciências Humanas e Sociais, que se inscrevem na dicotomia biologia versus cultura. Assim, tomando o filme de animação ―Procurando Nemo‖ como um dispositivo de produção de paternidades, o objetivo deste estudo foi analisar como a paternidade é performativamente materializada neste filme e, mais precisamente, como este filme trabalha de forma performativa para materializar paternidades. Para dar sustentação teórica aos princípios e escolhas metodológicas desenvolvidas construiu-se uma tríade conceitual estruturada nos conceitos de performatividade, inteligibilidade e materialidade, em diálogo com pressupostos teórico-epistemológicos da Teoria Ator-Rede (TA-R). Do ponto de vista metodológico, as análises não se limitaram aos quase 100 minutos de narrativa, elas focalizaram, sobretudo, em uma rede extensiva de materialidade e socialidades que incluem elementos diversos: notas da produção, críticas cinematográficas, depoimentos obtidos em sites de cinema, bem como textos sócio-educativos. As análises aqui empreendidas buscam tecer essa rede heterogênea na qual a paternidade vai sendo performativamente produzida como materialidade. No jogo performático que se delineia nessa rede, a paternidade se constrói, ao mesmo tempo, como elemento anterior (ou seja, a paternidade é referida como o tema central sobre o qual o filme foi produzido), mas também o destino temático do filme (ou seja, o filme constrói paternidade). Esse jogo produz outros efeitos, por exemplo, pessoas inscrevem suas experiências e expectativas como pais referindo o filme; tomando o filme como exemplo, textos fazem referência à paternidade como conflito eterno entre ser pai ou ser amigo do filho ou sobre a importância do carinho paterno ou a questão dos pais que assumem totalmente a criação dos filhos ou ainda o exemplo da paternidade do filme como reflexo da relação de amor/insegurança do criador em relação à sua criatura etc. São processos identificatórios distintos que se articulam mobilizando conexões diversas cuja heterogeneidade é condição de estabilidade da própria rede. A paternidade é construída no filme na repetição persistente, instável e obrigatória, como norma tácita de inteligibilidade cultural que parece útil para manutenção da heteronormatividade, do imperativo da família nuclear e até mesmo a interdição do incesto. A paternidade é produzida como ideal regulatório impossível de ser realizado plenamente (e por isso gerador de exclusões) e estável precariamente conforme as redes que o possibilitam. Todavia, a paternidade não precisa ser desprezada mesmo que (ou inclusive porque) se constitua como mecanismo de coerção e governo, pois a resistência opera no interior da própria norma pela qual são produzidos efeitos, mas sempre sem apreender plenamente sua produção, pois eles testemunham suas instabilidades, incoerências, multiplicidade e, sobretudo, plasticidade

Palavras-chave: Paternidade, Performatividade, Teoria Ator-rede, Gênero e Cinema

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