Dissertação de Mestrado
Instituição: UFS - Universidade Federal de Sergipe
Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação
Orientador: Lívia de Rezende Cardoso
Ano: 2023
País: Brasil
Resumo
Esta pesquisa tomou forma a partir da compreensão de que os desenhos animados também se constituem enquanto currículos, pois, apesar de a escola ser um dispositivo privilegiado, ela não é o único lugar onde se empreendem conhecimentos. Inspirados nos Estudos Culturais (EC) e nas Teorias Pós-Críticas compreendemos que os ensinamentos se propagam através dos mais diversos artefatos culturais e empreendem pedagogias culturais, devido ao entendimento de que a cultura, assim como a educação, também é pedagógica e está envolvida na produção de conhecimentos e subjetividades. Para Cardoso (2016), as subjetividades presentes nos desenhos são destinadas a um público e conduzem os indivíduos a se reconhecer com determinados modos de ser, e, ao serem percorridos pelos discursos que constituem essas subjetividades, se estabelece o governo de condutas. As condutas por sua vez são usadas para que se fixe uma certa identidade, geralmente a identidade que se enquadra na norma vigente. Porém, há processos outros em que se procura fugir dessas normas, lutar contra elas e quebrá-las em busca de novas formas de existir. Esse processo é o que se entende por contraconduta. Com tais premissas objetivamos aqui analisar os desenhos animados como currículos produtores de contracondutas acerca de gênero. Para embasar essa pesquisa utilizamos autores e autoras póscríticos das áreas de currículo, cinema, estudos culturais e gênero, a exemplo de: Cardoso (2016, 2017), Ellsworth (2001), Fabris (2008), Foucault (1995, 1997, 2020), Giroux (1998, 2011), Hall (1992, 1997), Louro (2000, 2003, 2008, 2015), Meyer (2018, 2020), Paraíso (2004, 2006, 2014, 2018), Rael (2020) e Silva (2020). Metodologicamente falando, esta pesquisa possui cunho qualitativo, e se inspira nos EC e nas metodologias pós-críticas, utilizando aquilo que Fabris (2008) denominou de “filmografia para análise” e a etnografia de tela de Balestrin e Soares (2014). No mais, fizemos um levantamento em plataformas digitais para mapear os artefatos que já foram analisados relacionados a gênero e desenhos animados. Em seguida, selecionamos os desenhos A Casa Coruja (2020) e Guardiões da Mansão do Terror (2022) para análise, a partir da qual concluímos que ambos os desenhos animados produzem contracondutas e bagunçam, a seu modo, as barreiras das normas.
Palavras-chave: Educação - estudo e ensino, Currículos, Desenho animado, Identidade de gênero, Contracondutas, Gênero
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