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O Espetáculo de uma Obra Animada

  

Artigo Acadêmico
(indexado pela 1a. vez em 20/07/2012)


Autora: Eliane Gordeeff
InstituiçãoUniversidade Federal de Pelotas, UFPel
Publicado em: Orson - Revista dos Cursos de Cinema do CEARTE - UFPel, edição número 2. Pelotas: Centro de Artes/UFPel, 2012, pp. 25-37.
Ano: 2012
País: Brasil

Resumo

A partir de 1990, a arte da animação tem se desenvolvido amplamente com a informatização dos meios de produção. E como já observavam Adorno e Horkheimer (1996, p. 65), as obras animadas se transformaram em produtos á mercê das manipulações econômicosociais do mercado, como também elementos mantenedores do sistema – e de fuga da realidade, seguindo os estudos de Guy Debord (2003). Assim, são lançadas no mercado superproduções que extasiam o público, sendo verdadeiros espetáculos de efeitos digitais. Porém, mesmo neste contexto, existem iniciativas de desenvolvimento de uma arte menos mercantilista. Pois “espetáculo”, não significa apenas eventos com forte aparato cenográfico e de efeitos, mas também “olhar”, “observar atentamente”, “contemplar” – latim, spectaculu (HOLANDA, 1999, p. 815).
Uma das instituições que tem por filosofia o desenvolvimento da linguagem audiovisual é o National Film Board of Canada, sendo notoriamente conhecido como um polo produtor de obras de animação autoral, obras que possuem “um caráter, uma personalidade, uma vida real, uma psicologia e até uma ‘visão de mundo’ que concentrem sua função sobre sua própria pessoa e sobre a sua ‘vontade de expressão pessoal” (VERNET in: AUMONT, 2008, p. 110). Tais projetos resultam numa manifestação artística homogênea, e visualmente mais pregnante que, como confirma Alexander Petrov, “se mantém a individualidade, sua ideia, a especificidade do estilo do animador, sua peculiaridade estética, tudo o que geralmente se perde nas grandes produções” (2009).
Em 1999 um dos projetos selecionados pela instituição foi Aria (2001), um curta-metragem de animação com bonecos baseado na ópera Madame Butterfly (1904), de Giacomo Puccini (1858-1924), do animador russo, radicado em Oslo, Piotr Sapegin. Um dos destaques dessa animação, e uma das razões de sua escolha para o estudo, é o fato de transportar a grandiosidade de um espetáculo teatral, com diálogos, para os pequenos cenários de uma animação. Num ambiente intimista, sem comunicação verbal, através da linguagem cinematográfica e da técnica de Stop motion, Sapegin criou um novo espetáculo, em termos de narrativa e de representação, que concentra a tensão e a força emocional da ópera.
Partindo deste recorte, se apresenta adequado o pensamento de Guy Debord sobre o espetáculo que, “compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente” (DEBORD, 2003, p.15), sendo complementado, neste texto, por alguns pontos da estética relacional de Nicolas Bourriaud e pelos estudos de Patrice Pavis, Andrei Tarkovski, Marc Vernet e Henri Bergson. O objetivo deste artigo é analisar como o animador constrói uma nova narrativa a partir do espetáculo teatral e compreender suas imagens.

Palavras-chave: Espetáculo, Animação de Bonecos, Stop Motion, Animação Russa



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